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COVID-19 Prevenção de infecção na retomada dos eventos

Dicas de prevenção de infecção para intérpretes na cabine

Mais de um ano após seu aparecimento, ainda estamos aprendendo a respeito do vírus SARS-CoV-2, o coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave. Muita coisa já foi dita e abandonada, e muito ainda pode mudar. Entretanto, existem características e medidas, que se aplicam às doenças infecciosas em geral e que valem para a COVID-19.

Com a gradual retomada dos eventos híbridos, a decisão pessoal de quanto risco se está disposto a correr nem sempre é muito fácil. Assim, reunimos informações e práticas que têm por objetivo instrumentalizar os intérpretes na fase atual.

OS FATOS

VÍRUS, TRANSMISSÃO, AMBIENTE

  • O coronavírus é um vírus RNA – tipo de vírus que sofre mutações constantes. Quanto mais pessoas doentes e maior a multiplicação, mais o vírus sofre mutação. Se por um lado isso dificulta o entendimento de como o microrganismo se manifesta e como combatê-lo, por outro faz também com que o vírus tente se adaptar ao hospedeiro sem matá-lo, para que também possa sobreviver.
  • A disseminação ocorre por gotículas (partículas grandes) eliminadas através de espirro, tosse e fala, e principalmente quando essas gotículas se transformam em aerossol (partículas menores), podem permanecer no ambiente e nos objetos, por várias horas. As gotículas e o aerossol produzidos podem transmitir a infecção por uma distância de poucos metros, e chegar até 6 a 8 metros.
  • A concentração do vírus no ar também influi na capacidade de infectar as pessoas. A velocidade de disseminação é rápida, principalmente quando não mantido o distanciamento físico. A disseminação pelos assintomáticos piora a situação.
  • Os testes de tempo de sobrevida do vírus no ambiente têm variado entre 2 horas e 9 dias. Esse tempo depende de vários fatores, incluindo tipo de superfície, temperatura, umidade relativa e a cepa do vírus.
  • Além da distância, outros fatores são também importantes – estar em ambiente aberto ou fechado, ambiente com troca de ar e ventilação, densidade de pessoas, tempo de exposição, estar em ambiente com maior número de pessoas infectadas, como serviço de saúde, por exemplo.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS

  • 20 a 40% das pessoas infectadas não apresentam sintomas, sobretudo os indivíduos mais jovens.
  • O mecanismo geral de defesa contra infecções e a resposta imunológica dos indivíduos têm provável papel importante e podem estar ligados a fatores genéticos.
  • O risco começa a aumentar a partir dos 60 anos, passa a moderado acima de 70 e é ainda maior para as pessoas mais velhas.
  • Em indivíduos com doença pulmonar de gravidade média, doença cardíaca, doença renal, diabetes, doença hepática, doença neurológica, muito obesos (com IMC maior que 40), gestantes, e em uso de medicação que pode afetar o sistema imunológico, o risco se torna MODERADO.
  • A maior vulnerabilidade (risco ALTO) ocorre em indivíduos com transplante de órgão, câncer, em quimio ou radioterapia, uso de drogas imunodepressoras, doença pulmonar grave, doenças com alto risco de infecção, doença cardíaca grave na gestação.
  • Não se sabe o tempo de imunidade pós infecção – parece ser de 6 a 12 meses. Talvez a imunidade seja diferente entre quem só se infecta e quem tem doença clínica. Existem casos com demora de negativação após a infecção e já existem casos descritos de reinfecção.

AGORA QUE VOCÊ TEM AS INFORMAÇÕES, COMO PODE SE PROTEGER?

MEDIDAS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E DO AMBIENTE

  • Não tocar olhos, nariz e boca com as mãos.
  • Lavar correta e frequentemente as mãos com água e sabão, por pelo menos 20 segundos, é essencial e a melhor forma de prevenir a disseminação da infecção, e diminuir o risco de adoecer, sobretudo depois de ir ao banheiro, antes de comer, depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz.
  • Se não houver disponibilidade de água e sabão, é recomendado o uso de desinfetante com base alcoólica (álcool-gel), que contenha pelo menos 60% de álcool.
  • Máscaras de pano que cobrem bem o rosto podem oferecer proteção razoável – mais contra transmitir do que se infectar. Quanto mais resistente à água, maior contagem de fios e mais coesa a trama do tecido, maior a proteção.
  • Máscaras cirúrgicas descartáveis protegem das gotículas e do aerossol. Também previnem a disseminação da infecção do doente ou assintomático.
  • O protetor facial (face shield) protege olhos, nariz e boca de quem está usando contra as partículas diretas. Mas, devido à abertura na parte inferior, ao tossir ou espirrar, as gotículas conseguem ultrapassar a barreira do protetor. Caso use o protetor, é necessário colocar também a máscara.
  • Trabalhe sempre de máscara e faça a troca de máscara a cada 2 ou 3 horas, ou sempre que ficar suja ou for removida por algum motivo.

BOAS PRÁTICAS NO USO DE CABINES, HUBS E ESTÚDIOS PARA TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

  • Salas específicas para cada atividade – som, tradução, recepção, etc.
  • Cabines individuais ou com separação completa
  • As cabines devem ser limpas com desinfetantes (álcool a 70%) após cada uso, ou seja, toda parte fixa da cabine (bancada, piso, etc.) e todo seu conteúdo (equipamento de som, cadeiras, etc.). Ao chegar na cabine, use álcool gel ou álcool isopropílico e limpe mais uma vez os fones e microfone, ou peça ao cliente que providencie capas descartáveis para os fones de ouvido e para o microfone.
  • Verifique com o cliente se é possível levar seu próprio fone.
  • Intervalo mínimo de uma hora e, idealmente, de duas horas entre uso e/ou troca de equipes para renovação do ar (considerando um ambiente ventilado).
  • Trabalhar com o mínimo de indivíduos necessários em cada ambiente.

COMPORTAMENTO PESSOAL

  • Ao sair de casa, escolher com parcimônia os acessórios individuais e de trabalho (bolsas, sacolas, lenços, colares) e reduzir ao mínimo necessário, pois tudo é passível de contaminação.
  • Cuidados extras – ao chegar em casa, separar a roupa, os calçados e acessórios. Se possível, lavar as roupas e tomar banho, lavando os cabelos.
  • Não usar os sapatos da rua em casa – tirar ao chegar, aplicar álcool nas solas e deixar separados.

Lembrar aos clientes que a tecnologia existente e os investimentos feitos em nossas instalações domésticas têm resultado em trabalhos remotos muito confiáveis e seguros – ficar em casa ainda é a melhor opção.

Fiquem bem e com saúde.

Elaborado por Emily Ruiz (com colaboração da Dra. Ione Guibu, médica epidemiologista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa) e revisão de Suzana Gontijo.

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